terça-feira, 4 de março de 2008

Praise You

Sou o pequeno brilhante. Aquele que no meio da multidão consegue destaque por ser o mais notável. Porque? Porque eu vou mudar o mundo. Não era possível que desta vez eu falhei. Joguei com descontração, olho no olho e no final usei a última carta do baralho, o meu sorriso. Ele mostrava minha alma, minhas itenções e todo o meu potencial. Eu era o perfil, tava tudo certo. Contornei com o jogo de cintura todos aqueles meus pontos fracos que pudessem me eliminar, e eles sorriram. Não deu certo, mais tarde. Eu precisava que eles gritem "olhem, vamos elogiá-lo". Precisava que me elogiasem, como se o comando "praise you" fosse uma ordem e todos ali deviam cumprir. O que é necessário pra que tudo dê certo? Um vocabulário impecável, uma lista dos filmes desconhecidos e "cults" e um conceito "bala" sobre o que é audiovisual. Eu não precisava fingir isso. Falei por que falei; o audiovisual é aquilo que prende. Se eu chegasse dançando alguma coisa idiota, e cantando qualquer coisa que seja, eu seria o melhor. Todos iam me escutar e me ver mais do que um dicionário cheio de denotações de merda. Se eles ao menos soubesse disso, não iriam ler uma carta idiota de intenção. Mas a notícia chegou, e no meio da multidão eu fui pisoteado, esmagado, ferido e despercebido. Os caramujos são os pequenos notáveis. Os belos são burros e cheio de blá blá blá. Mas agora chega. Estou esperando, olha para mim, estou segurando a placa: PRAISE YOU. Amasso a folha de papel mostrando toda a minha raiva, gritando por último com uma voz sufocada, como a de um ditador ao renunciar diz:" Hey, você aí, elogia-me com gosto, com alma....". Eu merecia.

nota: praise-you= elogiá-lo

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