quinta-feira, 6 de março de 2008

Depois daquela viagem


Deitado na minha cama eu avisto o porta-retrato do alto da estante. Puxa, como você estava linda naquele retrato. Lembro-me como se fosse ontem, aquela praia de Porto Seguro, você de blusa azul com o cabelo solto com franja... o sol batia nos seus cabelos e iluminava seu rosto. Prometemos que todos os dias iam ser como aquela praia, aquelas férias. Nem pensaríamos como seria os próximos anos juntos, os próximos meses e as próximas segundas-feiras monótonas. Eu sinto falta daquela praia, do café da manhã e dos passeios no pôr-do-sol. Sinto falta do romantismo barato, porém verdadeiro, das conversas à noite, do cheiro da carne assando enquanto tomávamos a nossa cerveja de toda a noite, planejando sonhos, projetos para as nossas vidas, contruindo planos para o futuro e rindo feitos bobos. Sinto saudade do café de todo o dia, do abraço caloroso quando eu chegava cansado daquela viajem. Com afeto você passava a mão no meu rosto, e eu te falava que tudo sempre ia melhorar, que um dia as promessas iam se cumprir. O que eu mais desejava era voltar pra casa, passar as noites conversando e colocando tudo ao seu devido lugar. Eu sinto falta do romantismo banal, da essência, do passado. Hoje eu vejo a foto, percebo o sentido do que era amar e ser amado. Não sei se foi tempo perdido, passado é passado, mas eu sinto os reflexos de nostalgia. Mas não se preocupe meu amor, as promessas são infinitas, ilimitadas... mas elas irão sem cumprir depois daquela viajem.

4 comentários:

Anônimo disse...

nossa, eu simplesmente amei
serio

é como eu me sinto, com uma ligeira diferença.
to vivendo isso agora
e tenho medo de perder :~

Carol Colicigno disse...

Eu não gosto de nostalgias, mais eu posso dizer com todas as letras e com o significado ao pé da letra que todas essas palavras estão perfeitamente perfeitas reunidas exatamente nessa ordem, nesse tempo e nesse lugar. You're pretty, cat! :D

Rodolfo Rodrigues disse...

Muito bom o texto...

Sem palavras para elegiar...




PS. vou fazer outro comentário com o poema que este texto me lembrou, para não avacalhar o "sem palavras"

^^

huahuhuau..

Rodolfo Rodrigues disse...

Ode ao Burguês - Mário de Andrade


Eu insulto o burguês! O burguês-níquel

o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!


Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
"? Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
? Um colar... ? Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!"


Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!


Fora! Fu! Fora o bom burguês!...




PS. tem nada a ver com o tema do seu texto, porém seu texto ficou uma "Ode" (apesar da falta de versos (simetricos ou não))... ahuahuahuahuahu... sempre eu viajo... huahuahua... :p


"Sinto falta do romantismo barato!"

"Sinto saudade do café de todo o dia!"

"Eu sinto falta do romantismo banal!"


^^