
Coloquei meus segredos e meus desejos dentro da caixa preta, esperando que um dias eles se abram e encontre o momento certo de se expandirem. Certo dia eu acordei com uma vontade imensa de fumar um cigarro. Nada de droga pesadas, apenas um cigarro comum porquê eu queria ter a sensação de jogar a fumaça pra cima e analisar os desenhos que elas iam se formar ao sair da minha boca e entrar em contato com o ar. Queria também poder experimentar soltar rosquinhas de fumaça, uma por uma, e saber até onde eu conseguiria. A cada tragada, a fumaça iria se transformar no que eu mais almejava dentro de mim naquele momento. E foi assim... eu enchia os pulmões, pensava no que eu sentia e soltava pro ar. Fazia isso uma, duas, três vezes até acabar o cigarro. E no movimento das fumaças, percebi que elas sempre de dispersavam no ar num piscar de olhos, e aos poucos, não tinha mais nenhum rastro. Comei a imaginar que a fumaça fosse mesmo todas as coisas que eu desejo, elas sempre iriam durar uma fração de segundos, e depois iam sumir para sempre. Como se nada valesse a pena. Seria como se eu abandonasse os ideais e preferisse a inteligibilidade notória, daquilo que chamamos de realidade. As coisas que eu quero ter nessa vida não talvez não valham nem a fumaça dos cigarros. O que será que eu tô fazendo aqui? Deitado no chão, olhando as estrelas e achando que encontrarei respostas através de fumaças. Geralmente eu coloco tudo na caixa preta, que eu chamo de vazio, o meu pensamento. Lá as coisas sempre ficam esperando uma oportunidade, e talvez nunca se expandem como as fumaças de cigarro no ar. O que se pode entender é diferente do que se compreende bem. Eu entendo as coisas, mas não compreendo o rumos que elas tomam. Afinal, depois de várias fumaças dançando no ar, o cigarro sempre acaba em cinzas.