sábado, 23 de fevereiro de 2008

Bom dia, eu te amo.

Sem hesitação me encontro aqui, sentado nesse banco de jardim e me pergunto: "quantas vidas terei que viver até que encontre um novo amor?". Durante muito tempo, as pessoas sempre me julgaram do tipo durão, cara amarrada e arrogante. Sempre disse as coisas erradas e nas piores horas possíveis usando o clichê "perco o amigo, mas não perco a piada" como filosofia de vida. Mas acontece que nunca ninguém imaginou a coisa mais rídicula que eu coleciono. E se um dia descobrissem, eu poderia virar alvo de piadas ou ser a pessoa mais comentada durante meses e até por anos. Pois é, eu coleciono fotos 3x4 de todas as pessoas que eu amei um dia na vida, até agora. Mas nunca foi aquela coleção onde eu pudesse colocar todas as fotos dentro de uma velha caixa guardada no guarda-roupas. Não importa aonde eu iria, todas as fotos estavam comigo, sempre ali na minha carteira. O bolso da calça chegava a fazer um volume notável de tantas fotos que eu tinha. Certa vez, uma namorada minha disse que eu levaria as fotos até no meu caixão quando eu morrer. Idiota ela era. Eu tinha em média umas 23 fotos. Se eu contasse, ninguém acreditaria que um homem, jovem e com poucas expectativas de vida pudesse amar 23 pessoas e sempre assim, tão rápido, de uma hora pra outra. É, mas amor pra mim não é essa coisa rídicula que todo mundo diz que é eterna. No meu caso, "eu te amo" pode ser bom dia, e um "bom dia" verdadeiro. E por mais que eu sempre amasse alguém tão rápido, eu tinha certeza que não era paixão. Paixão é um momento de êxtase, como o sexo. Amor você sente todos os dias. E todas as mulheres, eu as amava todos os dias. Hoje, então, resolvi, nesse mesmo banco de jardim, colocar todas as fotos que tenho, uma do lado da outra, e com isso, recordar de cada amor. Recordar de cada época da minha vida e de todos aqueles bons momentos. Paixões você sente toda a hora e os amores vem e vão. Foda que eu sempre espero cada vez mais. Todas essas fotos 3x4 me olham como se estivessem me encarando e cobrando algo mais de mim. As pessoas passaram e eu sempre achei que deveria ter feito mais alguma coisa, antes de pedir uma foto para a minha coleção de merda. Pois então, as fotos me encaram e chego a conclusão que talvez não vale mais à pena guardar o passado dentro da carteira e muito menos levá-lo comigo.

Melhor deixá-lo aqui, neste banco, esperando que outras pessoas digam "bom dia".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Minha respiração ja deveria ter amenizado
eu ja deveria estar dormindo agora..
o rélogio ao lado da cama indicava que ja eram 4 horas da manhã
a lua no ceu estava cheia, com um brilho fosco em volta
noites como essa me fazem pensar..
pensar em coisas que milhões de vezes ja cirularam por minha cabeça..
me deixando apenas mais e mais frustrada por não ter respostas.

As vezes não me sinto tão humana
não sei dizer se 'gosto' ou se 'amo'
choro as vezes,
não pelo os outros
mas por mim,
tamanha minha personalidade egocentrica
não acho que um dia seria capaz de feze-lo por alguem.

Sentimentos que não consigo nomear me atormentam a cada dia
com certeza riem da minha cara por não saber seus significados
coisas banais, que muitos dizem com naturalidade
simplesmente não chegam à minha boca
uma solidão perturbadora me assombra nessas noites
uma penumbra gélida se forma no meu ser
me faz sentir mal, sem nem me explicar porque
meu coração grita por algo, que não sei o nome


algo me falta


tanto,
que chega a doer...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

É agora ou...

Pronto. Os remédios já tinham acabado o efeito, o banho estava tomado e a cara limpa estava encarando o reflexo no espelho. Ela tinha tudo nas mãos, mas ao mesmo tempo não tinha nada. Olhar as pessoas na mais diversas situações era o passatempo preferido dela. Adorava apreciar as mãos, os olhares e as falas de todo o mundo, mas agora chegou o momento. Era o maior desafio da sua vida poder encarar ela mesmo nos olhos e falar tudo o que pensava. Os minutos iam passando e as idéias não se formavam. Tinha ensaiado um discurso para dizer pra si mesma. Um discurso sincero, um sermão que remete aquele que o padre diz em dia de Páscoa. Agora já estava quase tarde. Era hora de encarar e dizer o que pensava, o que pretendia fazer diante daquela situação. Mal conseguia visualizar o reflexo à sua frente, quanto mais encarar toda a verdade. Não tinha saída, a não ser uma tentavida de se auto-defenestrar. Olhou fixamente para seus pés e sabia exatamente o caminho a seguir. Era agora ou...