terça-feira, 18 de março de 2008

1+1=2

Tem coisas que são tão óbvias que tornam até inexplicáveis, como 1+1=2. A minha rotina é simples e rídicula o bastante pra ser inexplicável. Estudo biologia na faculdade próxima à minha casa. Pra chegar ao laboratório, o qual tenho aula sempre no primeiro horário todos os dias, eu passo pelo caminho mais longo só pra poder sentir o cheiro do café da manhã da cantina. Adoro subir o morro que me leva até lá e sentir aquele cheiro de pão com linguiça, em plena sete horas da manhã. Nossa...eu fico salivando só de pensar naquele aroma e fico saboreando o cheiro e o ingerindo com a minha saliva. Pode parecer esquisito, mas eu mergulhava numa espécie de delírio incomum. E assim são todos os dias da minha vida. Mas hoje foi diferente. Eu estava subindo a estrada, no frio típico de julho, até que meu estômago começou a revirar. Eu nunca tinha sentido um cheiro tão horrível na minha vida. Mas o que era aquilo cheirando estranhamente , como uma fritura velha e gordurosa? Pois é, era o pão com linguiça. O maravilhoso e formidável, pão com linguiça! O que tinha de errado dessa vez? Abaixei, amarrei o tênis e subi novamente para a superíficie. O cheiro era o mesmo, o familiar de todas as manhãs.
Na sexta-feira seguinte, lá estava o meu estômago revirado. O que tinha de errado com o meu nariz? E o que tinha de errado comigo mesmo? Não era possível, eu não estava salivando! Isso nunca tinha acontecido antes. Sábado e domingo chegou e eu esperava que o meu estranho comportamento iria se curar até a segunda-feira. Achava que era apenas um princípio de gripe, nariz entupido, má disposição, aliás, estava tão frio...

Segunda-feira, estava eu bem, animada e subindo o morro, avistei a cantina e senti o cheiro do ar que estava a minha volta. As neblinas estavam baixas, a minha cabeça começou a doer, vi a cantina mudar de posição rapidamente e eu não vi mais nada. Quando acordei, estava na enfermaria na faculdade e meu namorado estava do meu lado. Ele me deu a mão, e disse que tudo ficaria bem. Naquela hora, inexplicavelmente eu tinha certeza que dali em diante, dividiríamos pra sempre as nossas vidas.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Eu nunca quis que tudo acontecesse assim,
nunca quis me apaixonar por você
nunca quis sentir sua falta
nunca quis ter esses sentimentos antes inexistentes dentro de mim

Agora ja é tarde
minhas tardes precisam de você

eu preciso de você respirando do meu lado enquanto eu durmo
eu preciso de você falando bosta na minha cabeça
eu preciso de você me enxendo o saco
eu preciso de você simplesmente do meu lado

e dói
dói saber que meu passado
que me atormenta
faz parte das suas indecisões

dói tanto...
porque não ignorar o que ja passou.. e seguir em frente...?

quinta-feira, 6 de março de 2008

Depois daquela viagem


Deitado na minha cama eu avisto o porta-retrato do alto da estante. Puxa, como você estava linda naquele retrato. Lembro-me como se fosse ontem, aquela praia de Porto Seguro, você de blusa azul com o cabelo solto com franja... o sol batia nos seus cabelos e iluminava seu rosto. Prometemos que todos os dias iam ser como aquela praia, aquelas férias. Nem pensaríamos como seria os próximos anos juntos, os próximos meses e as próximas segundas-feiras monótonas. Eu sinto falta daquela praia, do café da manhã e dos passeios no pôr-do-sol. Sinto falta do romantismo barato, porém verdadeiro, das conversas à noite, do cheiro da carne assando enquanto tomávamos a nossa cerveja de toda a noite, planejando sonhos, projetos para as nossas vidas, contruindo planos para o futuro e rindo feitos bobos. Sinto saudade do café de todo o dia, do abraço caloroso quando eu chegava cansado daquela viajem. Com afeto você passava a mão no meu rosto, e eu te falava que tudo sempre ia melhorar, que um dia as promessas iam se cumprir. O que eu mais desejava era voltar pra casa, passar as noites conversando e colocando tudo ao seu devido lugar. Eu sinto falta do romantismo banal, da essência, do passado. Hoje eu vejo a foto, percebo o sentido do que era amar e ser amado. Não sei se foi tempo perdido, passado é passado, mas eu sinto os reflexos de nostalgia. Mas não se preocupe meu amor, as promessas são infinitas, ilimitadas... mas elas irão sem cumprir depois daquela viajem.

terça-feira, 4 de março de 2008

Praise You

Sou o pequeno brilhante. Aquele que no meio da multidão consegue destaque por ser o mais notável. Porque? Porque eu vou mudar o mundo. Não era possível que desta vez eu falhei. Joguei com descontração, olho no olho e no final usei a última carta do baralho, o meu sorriso. Ele mostrava minha alma, minhas itenções e todo o meu potencial. Eu era o perfil, tava tudo certo. Contornei com o jogo de cintura todos aqueles meus pontos fracos que pudessem me eliminar, e eles sorriram. Não deu certo, mais tarde. Eu precisava que eles gritem "olhem, vamos elogiá-lo". Precisava que me elogiasem, como se o comando "praise you" fosse uma ordem e todos ali deviam cumprir. O que é necessário pra que tudo dê certo? Um vocabulário impecável, uma lista dos filmes desconhecidos e "cults" e um conceito "bala" sobre o que é audiovisual. Eu não precisava fingir isso. Falei por que falei; o audiovisual é aquilo que prende. Se eu chegasse dançando alguma coisa idiota, e cantando qualquer coisa que seja, eu seria o melhor. Todos iam me escutar e me ver mais do que um dicionário cheio de denotações de merda. Se eles ao menos soubesse disso, não iriam ler uma carta idiota de intenção. Mas a notícia chegou, e no meio da multidão eu fui pisoteado, esmagado, ferido e despercebido. Os caramujos são os pequenos notáveis. Os belos são burros e cheio de blá blá blá. Mas agora chega. Estou esperando, olha para mim, estou segurando a placa: PRAISE YOU. Amasso a folha de papel mostrando toda a minha raiva, gritando por último com uma voz sufocada, como a de um ditador ao renunciar diz:" Hey, você aí, elogia-me com gosto, com alma....". Eu merecia.

nota: praise-you= elogiá-lo