sexta-feira, 9 de maio de 2008

Memoirs of Holland

"Estava apaixonada,
mas não conseguia aceitar o que sentia.

Pisava, abusava e aproveitava do amor que recebia dele.


Mesmo assim ele continuava do seu lado,
enquanto ela lhe pedia drogas, dinheiro e sexo,
ele só pedia sua compania, seus carinhos e suas palavras doces,

Mas ela insistia em abusar mais e mais...


Até que se cansou de aproveitar daquele amor sincero, que fazia tudo por ela. Jogou fora como se fosse um simples papel amassado em valor algum.

Até rira por algns segundos, da cara de cachorro molhado que ele fez.

E o tempo foi passando,
até ela perceber a burrice que tinha feito.

Voltou correndo para ele.
E ele, ao invez de ficar com raiva,
a recebeu de braços abertos, como se nada tivese acontecido, sorrindo, feliz, como uma criança que ganha um carrinho novo.

Ao ver essa cena, não conseguiu sentir-se feliz,
pelo contrario, sentiu-se terrivelmente mal, sua voz não saia, sentiu vontade de chorar.
Ele a abraçou com força, com aquele corpo, que como ela pode perceber, era perfeito, se encaixava perfeitamente no dela, como se realmente tivessem sido feitos um para o outro.

Com lágrimas nos olhos, se separou e o encarou,
olhando nos olhos profundamente azuis dele,
como nunca tinha reparado em sua beleza?
Como nunca havia percebido aquelas mãos macias e carinhosas?
Como poderia ter sido tão burra?
Como...como tivera coragem de sequer pensar em machuca-lo.

Decidida, o abraçou mais uma vez e o beijou nos labios,
ele franzindo o cenho, perguntou o que a fazia chorar tanto,
ela balançou a cabeça pedindo desculpas baixinho
e sem dizer mais nada saiu correndo pela rua, chorando, deixando ele à porta estupefaço.

Não poderia ficar com ele.
Agora mais que nunca queria que ele fosse feliz,
com alguem que fizesse por merecer tudo que ele tinha para dar.
E esse alguem com certeza não era ela.

Sentou na calçada em frente ao seu prédio desconsolada...
Havia jogado fora,
a chance de ter um grande amor.



E mesmo 2 anos depois, ele, mesmo sentindo-se um idiota
continuava a conversar com ela,
continuava a chamá-la para sair, mesmo estando a um oceano de distancia,
continuava a pedir fotos novas dela, só para ter um razão para chamá-la de linda.

E ela, mesmo sabendo que talvez nunca fossem ficar juntos de novo,
continuava a ama-lo,
continuava a responder a tudo que ele perguntava,
continuava considerando-o o único homem capaz de faze-la amar e sentir amada.


E precisava vê-lo de novo."

terça-feira, 18 de março de 2008

1+1=2

Tem coisas que são tão óbvias que tornam até inexplicáveis, como 1+1=2. A minha rotina é simples e rídicula o bastante pra ser inexplicável. Estudo biologia na faculdade próxima à minha casa. Pra chegar ao laboratório, o qual tenho aula sempre no primeiro horário todos os dias, eu passo pelo caminho mais longo só pra poder sentir o cheiro do café da manhã da cantina. Adoro subir o morro que me leva até lá e sentir aquele cheiro de pão com linguiça, em plena sete horas da manhã. Nossa...eu fico salivando só de pensar naquele aroma e fico saboreando o cheiro e o ingerindo com a minha saliva. Pode parecer esquisito, mas eu mergulhava numa espécie de delírio incomum. E assim são todos os dias da minha vida. Mas hoje foi diferente. Eu estava subindo a estrada, no frio típico de julho, até que meu estômago começou a revirar. Eu nunca tinha sentido um cheiro tão horrível na minha vida. Mas o que era aquilo cheirando estranhamente , como uma fritura velha e gordurosa? Pois é, era o pão com linguiça. O maravilhoso e formidável, pão com linguiça! O que tinha de errado dessa vez? Abaixei, amarrei o tênis e subi novamente para a superíficie. O cheiro era o mesmo, o familiar de todas as manhãs.
Na sexta-feira seguinte, lá estava o meu estômago revirado. O que tinha de errado com o meu nariz? E o que tinha de errado comigo mesmo? Não era possível, eu não estava salivando! Isso nunca tinha acontecido antes. Sábado e domingo chegou e eu esperava que o meu estranho comportamento iria se curar até a segunda-feira. Achava que era apenas um princípio de gripe, nariz entupido, má disposição, aliás, estava tão frio...

Segunda-feira, estava eu bem, animada e subindo o morro, avistei a cantina e senti o cheiro do ar que estava a minha volta. As neblinas estavam baixas, a minha cabeça começou a doer, vi a cantina mudar de posição rapidamente e eu não vi mais nada. Quando acordei, estava na enfermaria na faculdade e meu namorado estava do meu lado. Ele me deu a mão, e disse que tudo ficaria bem. Naquela hora, inexplicavelmente eu tinha certeza que dali em diante, dividiríamos pra sempre as nossas vidas.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Eu nunca quis que tudo acontecesse assim,
nunca quis me apaixonar por você
nunca quis sentir sua falta
nunca quis ter esses sentimentos antes inexistentes dentro de mim

Agora ja é tarde
minhas tardes precisam de você

eu preciso de você respirando do meu lado enquanto eu durmo
eu preciso de você falando bosta na minha cabeça
eu preciso de você me enxendo o saco
eu preciso de você simplesmente do meu lado

e dói
dói saber que meu passado
que me atormenta
faz parte das suas indecisões

dói tanto...
porque não ignorar o que ja passou.. e seguir em frente...?

quinta-feira, 6 de março de 2008

Depois daquela viagem


Deitado na minha cama eu avisto o porta-retrato do alto da estante. Puxa, como você estava linda naquele retrato. Lembro-me como se fosse ontem, aquela praia de Porto Seguro, você de blusa azul com o cabelo solto com franja... o sol batia nos seus cabelos e iluminava seu rosto. Prometemos que todos os dias iam ser como aquela praia, aquelas férias. Nem pensaríamos como seria os próximos anos juntos, os próximos meses e as próximas segundas-feiras monótonas. Eu sinto falta daquela praia, do café da manhã e dos passeios no pôr-do-sol. Sinto falta do romantismo barato, porém verdadeiro, das conversas à noite, do cheiro da carne assando enquanto tomávamos a nossa cerveja de toda a noite, planejando sonhos, projetos para as nossas vidas, contruindo planos para o futuro e rindo feitos bobos. Sinto saudade do café de todo o dia, do abraço caloroso quando eu chegava cansado daquela viajem. Com afeto você passava a mão no meu rosto, e eu te falava que tudo sempre ia melhorar, que um dia as promessas iam se cumprir. O que eu mais desejava era voltar pra casa, passar as noites conversando e colocando tudo ao seu devido lugar. Eu sinto falta do romantismo banal, da essência, do passado. Hoje eu vejo a foto, percebo o sentido do que era amar e ser amado. Não sei se foi tempo perdido, passado é passado, mas eu sinto os reflexos de nostalgia. Mas não se preocupe meu amor, as promessas são infinitas, ilimitadas... mas elas irão sem cumprir depois daquela viajem.

terça-feira, 4 de março de 2008

Praise You

Sou o pequeno brilhante. Aquele que no meio da multidão consegue destaque por ser o mais notável. Porque? Porque eu vou mudar o mundo. Não era possível que desta vez eu falhei. Joguei com descontração, olho no olho e no final usei a última carta do baralho, o meu sorriso. Ele mostrava minha alma, minhas itenções e todo o meu potencial. Eu era o perfil, tava tudo certo. Contornei com o jogo de cintura todos aqueles meus pontos fracos que pudessem me eliminar, e eles sorriram. Não deu certo, mais tarde. Eu precisava que eles gritem "olhem, vamos elogiá-lo". Precisava que me elogiasem, como se o comando "praise you" fosse uma ordem e todos ali deviam cumprir. O que é necessário pra que tudo dê certo? Um vocabulário impecável, uma lista dos filmes desconhecidos e "cults" e um conceito "bala" sobre o que é audiovisual. Eu não precisava fingir isso. Falei por que falei; o audiovisual é aquilo que prende. Se eu chegasse dançando alguma coisa idiota, e cantando qualquer coisa que seja, eu seria o melhor. Todos iam me escutar e me ver mais do que um dicionário cheio de denotações de merda. Se eles ao menos soubesse disso, não iriam ler uma carta idiota de intenção. Mas a notícia chegou, e no meio da multidão eu fui pisoteado, esmagado, ferido e despercebido. Os caramujos são os pequenos notáveis. Os belos são burros e cheio de blá blá blá. Mas agora chega. Estou esperando, olha para mim, estou segurando a placa: PRAISE YOU. Amasso a folha de papel mostrando toda a minha raiva, gritando por último com uma voz sufocada, como a de um ditador ao renunciar diz:" Hey, você aí, elogia-me com gosto, com alma....". Eu merecia.

nota: praise-you= elogiá-lo

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Bom dia, eu te amo.

Sem hesitação me encontro aqui, sentado nesse banco de jardim e me pergunto: "quantas vidas terei que viver até que encontre um novo amor?". Durante muito tempo, as pessoas sempre me julgaram do tipo durão, cara amarrada e arrogante. Sempre disse as coisas erradas e nas piores horas possíveis usando o clichê "perco o amigo, mas não perco a piada" como filosofia de vida. Mas acontece que nunca ninguém imaginou a coisa mais rídicula que eu coleciono. E se um dia descobrissem, eu poderia virar alvo de piadas ou ser a pessoa mais comentada durante meses e até por anos. Pois é, eu coleciono fotos 3x4 de todas as pessoas que eu amei um dia na vida, até agora. Mas nunca foi aquela coleção onde eu pudesse colocar todas as fotos dentro de uma velha caixa guardada no guarda-roupas. Não importa aonde eu iria, todas as fotos estavam comigo, sempre ali na minha carteira. O bolso da calça chegava a fazer um volume notável de tantas fotos que eu tinha. Certa vez, uma namorada minha disse que eu levaria as fotos até no meu caixão quando eu morrer. Idiota ela era. Eu tinha em média umas 23 fotos. Se eu contasse, ninguém acreditaria que um homem, jovem e com poucas expectativas de vida pudesse amar 23 pessoas e sempre assim, tão rápido, de uma hora pra outra. É, mas amor pra mim não é essa coisa rídicula que todo mundo diz que é eterna. No meu caso, "eu te amo" pode ser bom dia, e um "bom dia" verdadeiro. E por mais que eu sempre amasse alguém tão rápido, eu tinha certeza que não era paixão. Paixão é um momento de êxtase, como o sexo. Amor você sente todos os dias. E todas as mulheres, eu as amava todos os dias. Hoje, então, resolvi, nesse mesmo banco de jardim, colocar todas as fotos que tenho, uma do lado da outra, e com isso, recordar de cada amor. Recordar de cada época da minha vida e de todos aqueles bons momentos. Paixões você sente toda a hora e os amores vem e vão. Foda que eu sempre espero cada vez mais. Todas essas fotos 3x4 me olham como se estivessem me encarando e cobrando algo mais de mim. As pessoas passaram e eu sempre achei que deveria ter feito mais alguma coisa, antes de pedir uma foto para a minha coleção de merda. Pois então, as fotos me encaram e chego a conclusão que talvez não vale mais à pena guardar o passado dentro da carteira e muito menos levá-lo comigo.

Melhor deixá-lo aqui, neste banco, esperando que outras pessoas digam "bom dia".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Minha respiração ja deveria ter amenizado
eu ja deveria estar dormindo agora..
o rélogio ao lado da cama indicava que ja eram 4 horas da manhã
a lua no ceu estava cheia, com um brilho fosco em volta
noites como essa me fazem pensar..
pensar em coisas que milhões de vezes ja cirularam por minha cabeça..
me deixando apenas mais e mais frustrada por não ter respostas.

As vezes não me sinto tão humana
não sei dizer se 'gosto' ou se 'amo'
choro as vezes,
não pelo os outros
mas por mim,
tamanha minha personalidade egocentrica
não acho que um dia seria capaz de feze-lo por alguem.

Sentimentos que não consigo nomear me atormentam a cada dia
com certeza riem da minha cara por não saber seus significados
coisas banais, que muitos dizem com naturalidade
simplesmente não chegam à minha boca
uma solidão perturbadora me assombra nessas noites
uma penumbra gélida se forma no meu ser
me faz sentir mal, sem nem me explicar porque
meu coração grita por algo, que não sei o nome


algo me falta


tanto,
que chega a doer...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

É agora ou...

Pronto. Os remédios já tinham acabado o efeito, o banho estava tomado e a cara limpa estava encarando o reflexo no espelho. Ela tinha tudo nas mãos, mas ao mesmo tempo não tinha nada. Olhar as pessoas na mais diversas situações era o passatempo preferido dela. Adorava apreciar as mãos, os olhares e as falas de todo o mundo, mas agora chegou o momento. Era o maior desafio da sua vida poder encarar ela mesmo nos olhos e falar tudo o que pensava. Os minutos iam passando e as idéias não se formavam. Tinha ensaiado um discurso para dizer pra si mesma. Um discurso sincero, um sermão que remete aquele que o padre diz em dia de Páscoa. Agora já estava quase tarde. Era hora de encarar e dizer o que pensava, o que pretendia fazer diante daquela situação. Mal conseguia visualizar o reflexo à sua frente, quanto mais encarar toda a verdade. Não tinha saída, a não ser uma tentavida de se auto-defenestrar. Olhou fixamente para seus pés e sabia exatamente o caminho a seguir. Era agora ou...

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Caixa Preta


Coloquei meus segredos e meus desejos dentro da caixa preta, esperando que um dias eles se abram e encontre o momento certo de se expandirem. Certo dia eu acordei com uma vontade imensa de fumar um cigarro. Nada de droga pesadas, apenas um cigarro comum porquê eu queria ter a sensação de jogar a fumaça pra cima e analisar os desenhos que elas iam se formar ao sair da minha boca e entrar em contato com o ar. Queria também poder experimentar soltar rosquinhas de fumaça, uma por uma, e saber até onde eu conseguiria. A cada tragada, a fumaça iria se transformar no que eu mais almejava dentro de mim naquele momento. E foi assim... eu enchia os pulmões, pensava no que eu sentia e soltava pro ar. Fazia isso uma, duas, três vezes até acabar o cigarro. E no movimento das fumaças, percebi que elas sempre de dispersavam no ar num piscar de olhos, e aos poucos, não tinha mais nenhum rastro. Comei a imaginar que a fumaça fosse mesmo todas as coisas que eu desejo, elas sempre iriam durar uma fração de segundos, e depois iam sumir para sempre. Como se nada valesse a pena. Seria como se eu abandonasse os ideais e preferisse a inteligibilidade notória, daquilo que chamamos de realidade. As coisas que eu quero ter nessa vida não talvez não valham nem a fumaça dos cigarros. O que será que eu tô fazendo aqui? Deitado no chão, olhando as estrelas e achando que encontrarei respostas através de fumaças. Geralmente eu coloco tudo na caixa preta, que eu chamo de vazio, o meu pensamento. Lá as coisas sempre ficam esperando uma oportunidade, e talvez nunca se expandem como as fumaças de cigarro no ar. O que se pode entender é diferente do que se compreende bem. Eu entendo as coisas, mas não compreendo o rumos que elas tomam. Afinal, depois de várias fumaças dançando no ar, o cigarro sempre acaba em cinzas.
As cinzas dos cigarros não se refere à uma apologia ao vício, mas sim à uma metafora onde se pode tirar várias interpretações, tais como se as cinzas do nosso cigarro tivessem história para contar após um momento de inspiração. Além disso, "Our cigarette ashes" é um incentivo para que as pessoas possam tirar a poeira de tudo aquilo que já escreveram em algum momento da vida e resgatar o que elas significaram naquele momento.

Estreiando então, o primeiro texto, escrito mais ou menos à uma da manhã:


"Sentada naquela cadeira de balanços de sua tataravó, deixava que seus pensamentos mais profundos viessem a superficie, consumindo toda sua atenção, toda sua alegria.. De repente, via-se num buraco negro, onde estava como sempre esteve, só, com aqueles pensamentos sujos, pensamentos que assustariam até aos mais próximos, pensamentos que indubitavelmente mostravam sua verdadeira personalidade, agressiva, cruel e um coração que outrora acessível e carente de afeto, se encontrava frio e completamente impenetravel..."